A reforma Protestante

Atualmente é cada vez mais raro encontrar um cristão evangélico que conheça, de fato, a Reforma Protestante. A maioria não tem ideia do real significado da Reforma, simbolicamente memorada no dia 31 de Outubro. O Dia da Reforma é um dia comemorativo e programático. A Reforma foi um movimento de retorno à sã doutrina, que propôs expurgar da igreja os ensinos e as práticas contrárias à Palavra de Deus, a Reforma foi essencialmente um movimento religioso.
Nos séculos subsequentes à Reforma até hoje, houve muitas mudanças no mundo, boas e ruins, grandes e pequenas. Na Idade Média, o culto às relíquias e outros elementos como meio de graça cresceu e tomou proporções incríveis. “Era possível comprar cera dos ouvidos e leite da Virgem Maria, estrume do burro do estábulo de Belém, fios de cabelo e da barba do Salvador” (Dreher).
No Brasil do sincretismo religioso, floresce o misticismo pagão. Círculos que se dizem evangélicos são os primeiros a promover a Deforma da igreja, com seus ensinos e práticas estranhas à fé cristã. Hoje, os discípulos de Tetzel, o vendedor de indulgência do Papa Leão X, se multiplicam sonegando a graça que flui do Calvário. A Reforma levantou cinco bandeiras que deveriam permanecer hasteadas em nossas igrejas como símbolos da fé evangélica. Os “cinco solas” da Reforma (Sola é um termo latino que significa somente) sintetizam as batalhas travadas pelos reformadores em favor do evangelho.
1. Sola Scriptura – Somente as Escrituras: Os reformadores reafirmaram a supremacia das Escrituras sobre a tradição. A Bíblia é a única regra de fé e prática. O princípio Sola Scriptura é uma declaração da inspiração, autoridade, inerrância e suficiência das Sagradas Escrituras.
2. Solo Christus – Somente Cristo: A Reforma questionou a autoridade do papa sobre a Igreja e ousadamente declarou que nenhum homem pode substituir o Deus-Homem. A doutrina apostólica proclama a supremacia de Cristo como o nosso suficiente Salvador, nosso único Mediador e nosso soberano Rei. A cruz de Jesus Cristo é o coração do evangelho.
3. Sola Gratia – Somente a Graça: Os reformadores reafirmaram a doutrina bíblica da salvação pela graça. Somos merecedores de juízo e condenação, mas Deus, que é rico em misericórdia, susta o castigo que merecíamos e nos dá, graciosamente, a salvação. 4. Sola Fide – Somente a Fé: Os reformadores proclamavam a supremacia da fé sobre as obras para a salvação. A salvação não é uma sinergia, como se houvesse alguma contribuição da parte do homem. A fé salvadora nunca é apresentada como algo inerente ao ser humano e de caráter meritório, mas sim como dom de Deus. 5. Soli Deo Gloria – Somente a Deus a Glória: Os reformadores reafirmaram a o ensino da Bíblia de que Deus não reparte sua glória com ninguém. Em uma época caracterizada por cultos antropocêntricos, a igreja precisa reavaliar o que significar dar glória a Deus.
A Declaração de Cambridge alerta: “Todas as vezes em que a autoridade bíblica é perdida na igreja, Cristo é despojado do seu lugar, o evangelho é distorcido, ou a fé é pervertida, a razão é uma só: nossos interesses substituíram os de Deus e estamos fazendo o trabalho à nossa maneira. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável”. Oremos por uma nova reforma atualmente necessária em nossos dias.

Pr. Silvio Lamêgo