Vaso Falível para Tesouro infalível

O velho apóstolo Paulo faz uma transição da glória da nova criação para a fragilidade do vaso de barro. Transita da gloriosa missão de servo para a verdadeira miséria da sua fraqueza. Ele está definitivamente destruindo toda e qualquer pretensão humana. Ele está destruindo toda a ideia do culto à personalidade. O importante não é o obreiro, mas a obra. A glória não está no pregador, mas na pregação. O que é mais valioso não é o vaso, mas o tesouro, mas o tesouro que está no vaso.

A palavra grega thesouros, "tesouro", refere-se àquilo que é valioso e muito caro, enquanto ostrakinos “vasos de barro”, fala da cerâmica, aquilo que é feito de barro. A cerâmica coríntia era famosa no mundo antigo, e Paulo pode ser se referido às pequenas lamparinas de barro que eram baratas e frágeis ou, então, a vasos ou urnas de cerâmicas. A ideia é de que o tesouro valioso é contido em recipientes , e sem valor. Os vasos de barro antigos encontrados em todos os lares do antigo Oriente Médio, eram baratos e quebravam com facilidade. Eram de baixo custo e de baixo valor intrínseco. Paulo compara e contrasta o evangelista com o evangelho; o pregador com a pregação; o foco não deve estar no instrumento que prega a mensagem, mas no conteúdo da mensagem.

O homem é apenas um vaso de barro, frágil, quebradiço, e barato, seu valor não é intrínseco. Mas dentro desse vaso existe um tesouro de inestimável valor. Esse tesouro é o evangelho o vaso é perecível, mas o evangelho é infalível. O vaso não tem beleza em si mesmo, mas o evangelho traz o fulgor da glória de Deus na face de Cristo. O vaso se quebra e precisa ser substituído, mas o evangelho é eterno e jamais pode ser mudado. Precisamos ser vasos de honra úteis e preparados para toda boa obra (2Tm. 2. 21). Não há ministério indolor. A vida cristã não é uma estufa espiritual nem uma sala Vip. Ser cristão não é pisar tapetes vermelhos de aplausos, mas singrar mares encapelados. Ser cristão não é ser aplaudido pelos homens, mas carregar no corpo as marcas de Jesus. Por isso ser cristão é também ser vaso perseguido, atribulado e até mesmo abatidos, mas jamais ser destruído.

Pr. Silvio Lamêgo